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Proposta
O Ensino Religioso Escolar tem sido ao longo da nossa história objeto de muita discussão: que tipo de Ensino Religioso? Por que Ensino Religioso nas escolas? Na verdade, não é necessário que se faça uma retrospectiva no tempo para se constatar e afirmar que a questão do Ensino Religioso parece ser encarada como um problema em algumas localidades do nosso país. Se durante o Brasil colônia, e até algumas décadas do Brasil República a questão era tratada como ponto passivo, pelo fato de termos a religião católica como a oficial do Estado, de meados do século XX para cá a situação tem sido diferente.
A emergência de outras religiões e igrejas no cenário nacional fez surgir questionamentos sobre a primazia do Ensino Religioso confessional nas escolas. Diante disso, despontam os primeiros debates de cunhos apaixonados em defesa desta ou daquela proposta ou tipo de Ensino Religioso a ser ministrado nas escolas.
Daí decorre, até mesmo nas escolas de confissão católica, uma crise de identidade. Para agravar ainda mais a situação, as mudanças do tempo, com o processo de globalização e seus derivados, têm provocado modificações profundas na vida cotidiana da sociedade. Diante disso, surgem problemas e conflitos de todas as naturezas que fazem com que a vida e o mundo, sejam vistos sob perspectivas diversas. Dentro desse contexto, as instituições e os mais variados segmentos sociais sofrem e perdem em parte o seu poder de referência para o ser humano. Os valores balizadores da sociedade entram em questionamento face aos que vão surgindo. Resultado disso: a crise se instala e as instituições ficam um tanto desnorteadas.
Com isto, tudo o que tem relação com o antigo e com o tradicional não tem muito a oferecer para esse novo tempo em curso. Assim, vai sendo forjada uma outra cultura com outros estilos de vida e comportamento.
Contribui para tanto os meios de comunicação. Estes se despontam como um dos principais protagonistas da construção e propagação do que é visto como novos valores. O consumo, a competição, o individualismo, o egoísmo, etc. tudo isso, movido por um sistema capitalista portador de uma ideologia centrada no ter, são partes integrantes dessa mesma moeda corrente.
Dentro desse contexto e influenciado por ele, surgem as crises que provocam mudanças em todos os setores da sociedade. A família, a religião e a educação são os primeiros alvos. Como se adequar aos apelos dessa nova e mutante forma de viver? Bem, a família tem procurado se agarrar em tudo que se apresenta como alternativa que possa fazer face a tal contexto, mas nem sempre com sucesso. No caso da educação, principalmente a confessional, estamos nos referindo a ela, de certa maneira, parece ter perdido um pouco o seu rumo.
Na verdade, percebe-se que mesmo em escolas de congregações religiosas, que antes primavam pelo seu carisma e o tinha como a razão da sua existência, hoje estão sem saber ao certo que tipo de Ensino Religioso ministrar. Os problemas e conflitos do tempo presente têm exigido novas formas de compreensão do religioso / transcendente. Além disso, a questão financeira tem feito com que tais escolas se furtem aos seus princípios orientadores e se preocupem muito mais com o econômico para sobreviverem, do que com outra coisa qualquer.
Diante disso, constata-se principalmente nas escolas de congregações que não têm convênio com o estado e outros organismos, um desespero para permanecerem abertas. A essa altura, procuram fazer de tudo para conquistar mais e mais alunos, o que nem sempre é possível. Nessa esteira, parece valer todo tipo de “apelação”. A primeira das apelações pega de cheio o Ensino Religioso. De que forma? Ora, diz-se que não se trata de uma escola que tem proposta de Ensino Religioso confessional. Até se diz que é confessional, mas para aqueles que querem o confessional. Para os que não querem o confessional, procura-se sair pela tangente dizendo que se trabalha o Ensino Religioso como área de conhecimento, como Cultura Religiosa, como Ensino Religioso Ecumênico. Enfim, faz-se um verdadeiro malabarismo para falar de uma proposta de Ensino Religioso, na verdade fala de tudo, exceto do que realmente deveria falar: do Ensino Religioso propriamente dito.
Importa dizer, que diante disso, fica a impressão de que essas escolas não têm uma identidade, pelo menos na prática, definida. Ou seja, se portam de maneira ambígua e confusa. Parecem, em detrimento do que já foi dito, ter perdido as suas referências.
Agora, é de bom tamanho afirmar que tal comportamento, não é uma postura adotada por todas as escolas confessionais; por exemplo, as escolas judaicas, batistas, metodistas e outras mais, pelo que conhecemos, aconteça o que acontecer, elas procuram se manter firmes e fiéis às suas convicções e aos seus credos. Pois bem, se assim o fazem, pode-se dizer que para elas o religioso não é simplesmente parte integrante de uma proposta educacional, mais do que isto, ele é um instrumento promotor, semeador, instruidor e capacitador do sujeito aprendente em conformidade com a sua tradição religiosa. Numa palavra, o Ensino Religioso é uma área do processo educativo, que a partir dos princípios, doutrina e ensinamentos de sua confissão proporciona instruções, experiências, conteúdo e aprofundamento na fé capaz de auxiliar no processo educativo de pessoa em todas as suas dimensões.
Na verdade, não estaria na hora da escola católica assumir de uma vez por todas a sua identidade? E deixar de transitar entre a esquizofrenia e a ambigüidade?
A identidade defendida aqui não é outra coisa senão a coragem de dizer que é católica. Veja bem, se apresentar desta forma não significa que seja melhor, nem pior, mas diferente, isto é, como todas as outras, tem sua própria identidade. Além disso, diferente que reconhece que há pontos comuns entre todas. Além do mais, sem a prerrogativa de que é a única e verdadeira, pode interagir no processo educativo com o outro sem quem que se furte a sua confissão.
A vida é interdependência, interação e pluralidade. Não dá para viver fora dessa condição intrínseca a própria vida. Por isso, identidade sim, mas na diversidade. Quer dizer, precisamos ter bem claro a necessidade de termos uma identidade, no caso, religiosa. Como podemos nos identificar sem que tenhamos uma identidade definida, assumida e vivida?
Contudo, o que se pretende dizer é que o colégio Luiza de Marillac, é um estabelecimento de ensino de confissão católica. Tem uma área de Ensino Religioso que serve de referência para a vida da escola e dela partem as orientações de tudo aquilo que está relacionado à questão religiosa. Neste sentido, importa lembrar que a sua proposta de Ensino Religioso está aberta ao estudo e ao entendimento das demais culturas e religiões, mas o eixo central de onde decorre o fundamento para a elaboração de conteúdo para as suas atividades pedagógicas estão calcadas nos princípios do Cristianismo, as Sagradas Escrituras, enfim, na palavra do magistério e da tradição e demais literaturas do campo religioso e teológico de denominação católica são tomados como as principais referências para tanto.
Como o Ensino Religioso não se limita apenas a dimensão religiosa do ser humano, há uma gama de atividades desenvolvidas pelo mesmo, visando auxiliar o desenvolvimento do educando. Daí que temas como afetividade, sexualidade, amizade, justiça, violência, paz solidariedade, cidadania, política, meio ambiente, ética, distribuição de renda e tantos outros que são próprios da vida em sociedade, têm lugar garantido no desdobramento da proposta ao longo das aulas e de outros momentos da vida escolar.
Por fim, vale ressaltar que o nosso desejo, é o de realizar o que aqui propomos no mais absoluto respeito e aceitação do diferente. Portanto, seja com alunos, pais de alunos, funcionários e professores, todos terão a sua individualidade e o seu credo preservados e tolerados. Pois não utilizaremos de artifícios suspeitos, nem faremos proselitismo, com o intuito de ludibriar ninguém. A nossa relação e convivência terão a marca da tolerância, da compreensão e da complacência. O que queremos na verdade, é prestar um serviço sério, honesto e fundamentado em princípios sólidos que possam servir de mediação no desenvolvimento das potencialidades do ser humano, tendo em vista a formação e capacitação de uma pessoa amorisável, sensível para com a dor do outro, comprometida com valores humanitários e capaz de envolver-se com a construção de outro mundo possível. Mundo onde caibam todos.
Desta forma, o objetivo, as estratégias e recursos utilizados para fazer acontecer o que idealizamos na proposta, está esquematizado em passos seqüenciais do modo como segue em anexo.
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