Dia das Mães: o que celebramos mesmo?


Existem muitas datas festivas no nosso calendário. Por um lado, isto demonstra o respeito a data e o que se celebra nela, pelo menos é o que se acredita, ter sido esse, o verdadeiro sentimento que motivou algumas pessoas a tornarem tais datas oficialmente reconhecidas como feriados, dia Santo e por aí a fora.
Em sua origem, podemos dizer que as datas são uma convergência de sentimento que movimenta simpatizantes que comungam às vezes dos mesmos ideais, a tornarem, imortal acontecimentos, datas e seres humanos que merecem ser lembrados como exemplos que servem para a vida em qualquer tempo e lugar. Assim, podemos imaginar o surgimento das referidas datas. Claro que dependendo do contexto, algumas muito mais significativas do que outras, o que em linhas gerais, não diminui em nada o seu real valor, pois em essência, todas nasceram com uma única finalidade: fazer memória, trazer presente um acontecimento ou pessoa(s) e o que representaram e podem continuar representando para o povo de uma Nação, Estado ou Cidade.

Neste sentido, a razão de se comemorar, qualquer que seja a data, tem em si uma importância extremamente valiosa por motivos diversos: ensina, educa, desperta o senso crítico, cultiva o amor por aquilo que se celebra e, por conseguinte, pode servir de modelo a ser seguido. A final de contas, não é isso que acontece com os seguidores de pessoas e observadores de datas em que ocorreram acontecimentos marcantes em termos individuais e coletivos? Em linhas gerais, o que cerca o surgimento do dado em questão, são realmente as motivações acima mencionadas.
Entretanto, para que essas motivações que dão o seu verdadeiro sentido não sejam desvirtuadas, como se nota nos dias atuais, exige-se um trabalho árduo e demorado por parte de todo o conjunto da sociedade com todas as suas instituições. Contudo, surge a seguinte pergunta: como podem fazer algo nesse sentido se diante da conjuntura atual encontram-se tão desacreditadas e desprovidas da autoridade que lhes revestiam? Sem a menor demonstração de pessimismo, pode-se dizer que vivemos um momento sem muita perspectiva em relação a este assunto.

Afirma-se isto por vários motivos, o que não vem aqui, o caso de mencioná-los, mas apenas destacar que vivemos um momento em que, pelo que tudo indica, nenhuma das instituições que antes exerciam poder quase determinante na educação, no seu processo de desenvolvimento, crescimento em valores e na formação de opinião do sujeito em todos os seus aspectos ou dimensões, parecem não gozar de privilégios e nem ter mais autoridade e reconhecimento como em tempos passados.
O que é mais comum se perceber, em quase toda faixa etária, independentemente da cor, raça, nível de instrução, classe social e do contexto em que se está inserido, é uma adesão incondicional a tudo ou quase tudo que é ditado pelos meios de comunicação.

Os meios de comunicação, por sua vez, são os portadores de tudo aquilo que a pessoa necessita para se realizar plenamente e antecipar o prometido paraíso celeste para um ilusório paraíso terrestre. Estamos às vésperas de se comemorar o dia das mães. Mas, com efeito, o que significa realmente a celebração desta tão preciosa data? O que ela representa para crianças, jovens e adultos nos dias de hoje? Qual o lugar que as donas da festa ocupam em sua singela homenagem? São indagações como estas e muitas outras que os especialistas em consumo e os meios de comunicação sabem muito bem responder.
Porém, em sentido contrário, ao que cada data representa em sua origem e essência. Para fazer valer o que acreditamos, não basta dizer que não concorda com aquilo, que está em oposição a isso ou aquilo, mas assumir concretamente uma postura de absoluta insatisfação que se converta em gestos e atitudes práticas do nosso modo de agir e interagir com todos e com tudo. Sendo assim, portanto, que seja o nosso esforço em relação ao resgate dos valores e tantas outras coisas de fundamental importância à vida.

Prof. José Antonio de Sousa Alves


Pontifícia Universidade Católica de São Paulo - DTI - Núcleo de Mídias Digitais
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